(C)ALMAHub
Atendimento clínico

Nem tudo que dói tem nome ainda.

Existe um incômodo que não cabe em diagnóstico e não passa com remédio nenhum. Você segue funcionando, entregando, respondendo — e ao mesmo tempo carrega alguma coisa que não sabe dizer o que é.

A análise começa exatamente aí: no que ainda não tem palavra.

01Quando se procura

Não é preciso estar em crise para começar.

  • Quando o cansaço não passa com o fim de semana;
  • Quando a mesma situação se repete com pessoas diferentes;
  • Quando a vontade sumiu e você não sabe quando foi;
  • Quando uma decisão está parada há tempo demais;
  • Quando a ansiedade chegou e não foi embora;
  • Quando alguém partiu, ou quando alguma coisa acabou;
  • Quando você é quem sempre dá conta — e não aguenta mais ser.
A mesma volta, com gente diferente. É por aí que a maioria chega.
02O que é

O que é uma análise.

Não é conselho, e não é um plano com metas.

Técnica existe — e é rigorosa. Freud dedicou uma série de textos só a ela, entre 1911 e 1915, e o método tem regras de parte a parte: a associação livre de quem fala, a atenção flutuante de quem escuta. O que essa técnica faz, porém, não é ser aplicada sobre você como um procedimento. Ela sustenta um lugar onde se pode falar sem editar — inclusive o que não faz sentido, o que se contradiz e o que dá vergonha.

A regra do seu lado é simples de enunciar e difícil de cumprir: dizer o que vier, sem escolher antes, sem organizar, sem descartar o que parece bobo ou fora de propósito. É nesse esforço que o trabalho acontece.

E boa parte do trabalho passa pela relação. O que você sente pelo analista — confiança, irritação, vontade de agradar, vontade de faltar — não é ruído no processo: é material dele. É por isso que a primeira conversa serve tanto para você sentir o lugar quanto para falar do que te trouxe.

A análise cura?

Sim. E quem afirma isso com todas as letras é um psicanalista: J.-D. Nasio deu esse título a um livro inteiro. Mas ele define cura de um jeito preciso, e é essa definição que vale aqui.

—

A cura é efeito, não alvo.

Ela não é a meta que organiza o tratamento. Aparece como consequência do trabalho — e é por isso que perseguir a cura diretamente costuma atrapalhar.

—

Ninguém se cura por inteiro.

Resta sempre uma parcela de sofrimento que não é sintoma: é da própria condição de estar vivo. Quem promete o contrário está vendendo outra coisa.

—

Curar-se é o sofrimento deixar de paralisar.

Não é ausência de dor. É poder decidir, seguir, escolher — viver com mais autonomia e mais leveza do que se vivia antes.

NASIO, J.-D. Sim, a psicanálise cura!
Trad. Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2024, 112 p.

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas (1956).
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 51-52.

É também a descrição mais exata do que acontece numa análise. O que muda não está no dia em que você decide começar, nem no dia em que decide parar. Acontece no meio — em sessões que, uma a uma, parecem não ter tido nada de especial.

Uma ou mais sessões por semana, sempre no mesmo horário: a regularidade é o que sustenta o trabalho. Não há alta marcada, e quem decide quando termina é você.

03Como começa

Quatro passos, nenhum deles definitivo.

01

Você escreve.

Uma mensagem basta. Não precisa explicar nada ainda, nem saber o nome do que está sentindo.

02

Marcamos uma primeira conversa.

Serve para você falar do que te trouxe — e, principalmente, para sentir se ali é lugar. Se não for, você não fica sem caminho: existe uma rede de psicanalistas de confiança, e indicar faz parte do trabalho.

03

Os primeiros encontros são de entrada.

Não existe compromisso firmado no primeiro dia. Começar não obriga a continuar.

04

Se fizer sentido para os dois lados, combinamos o resto.

Frequência, horário e valor — conversados abertamente, antes de qualquer coisa.

Sigilo é a condição do trabalho, não um diferencial: o que se fala na sessão fica na sessão.

Abrir leva tempo, e acontece por etapas que não se pulam.
04(C)iência do comportamento

A ciência que embasa o que a gente fala.

O Hub da (C)alma trabalha com ciência o tempo todo para entender comportamento humano — não como enfeite, e sim como base do que se afirma aqui. Um artigo novo por semana, lido e resumido em português.

27.09.2026

Recuperar não é voltar a ser quem você era.

38pessoas tratadas por esgotamento contaram, seis a dez anos depois, como foi se recuperar. Nenhuma se considerava não recuperada — e a maioria ainda estava a caminho.

O que isso muda para você

Pesquisadores suecos voltaram a quem tinha passado por tratamento para transtorno de exaustão e perguntaram como a recuperação aconteceu. O que ouviram não foi uma linha subindo: foi um caminho com recaídas, frequentes no começo e mais leves com o tempo. O que empurrava para cima e o que puxava para baixo estava, em grande parte, fora da pessoa — o trabalho, o cuidado com alguém da família, a falta de apoio.

O cuidado continuou sendo necessário o tempo todo, mas mudou de forma: no pior momento, quase só descanso; depois, pausas mais curtas e atividades mais ativas. E ele foi a primeira coisa a sumir quando a vida apertou.

A parte mais difícil, para muitos, foi aceitar que não voltaram a ser quem eram — e o que ajudou foi entender e aceitar o próprio funcionamento. Este estudo não pesquisou psicoterapia; a ponte é leitura nossa: numa análise, é esse trabalho de reconhecer o que mudou, sem vergonha e sem pressa, que ganha lugar.

"Recovery activities are needed every step of the way" — exploring the process of long-term recovery in people previously diagnosed with exhaustion disorder · BMC Psychology 2024;12:248 · Aronsson, Stigsdotter Neely, Boraxbekk, Eskilsson & Gavelin · Universidade de Umeå, Suécia. Acesso aberto, licença CC BY.
Estudo qualitativo: 38 entrevistas semiestruturadas, feitas em 2019–2020, seis a dez anos após o tratamento, com análise temática. Descreve como a recuperação acontece; não mede quanto tempo ela leva.
→ ver o artigo no periódico
Baixar o resumo em português · 5 páginas Baixar o artigo original · 16 páginas, inglês
Justiça do Trabalho · UnB

A Justiça do Trabalho publicou uma cartilha sobre saúde mental no trabalho.

Feita com a UnB e o Programa Trabalho Seguro. São 12 páginas com os seis fatores de risco psicossociais, os sinais de alerta, o direito à desconexão e os canais de denúncia.

Vale ler por um motivo específico: ela trata assédio como fator de risco, não como caso isolado — como faz o Guia do Ministério do Trabalho para a NR-1, que põe o assédio em primeiro lugar na lista.

Ler a cartilha no site do TST
PDF · 12 páginas · gratuito · publicação oficial

Os seis fatores da cartilha são um resumo. O Guia do Ministério do Trabalho descreve treze.

Ver os treze fatores
PDF · gratuito · acesso com cadastro

Ver os artigos anteriores →

Onde

Online e presencial.

Online

De onde você estiver, por vídeo, no mesmo horário toda semana. A regularidade importa mais que o lugar — e para muita gente a própria casa é onde se fala mais livremente.

Presencial

São Paulo — Vila Olímpia, Pinheiros e Vila Madalena.
Para quem precisa do deslocamento: o caminho até a sessão, e o de volta, também fazem parte do trabalho. O endereço é combinado no agendamento.

Agendamento

Agende uma primeira conversa.

Não precisa saber o que dizer, nem explicar nada por escrito. "Queria marcar uma conversa" já é suficiente.

WhatsApp · (11) 99814-4663

Quem responde é uma pessoa, e pode levar algumas horas. Se for uma emergência, procure o CVV pelo 188 ou o pronto-socorro mais próximo.